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Investigação apura nove casos suspeitos de botulismo após uso de toxina botulínica em MG

Possíveis casos em Três Pontas (MG) estão associados a um mesmo cirurgião-dentista que também atende em Pouso Alegre (MG), onde teve clínica internada. Dois pacientes estão internados. Possíveis casos de botulismo são investigados em Três Pontas, MG

Possíveis casos em Três Pontas (MG) estão associados a um mesmo cirurgião-dentista que também atende em Pouso Alegre (MG), onde teve clínica internada. Dois pacientes estão internados. Possíveis casos de botulismo são investigados em Três Pontas, MG
Nove casos suspeitos de botulismo iatrogênico, relacionados à aplicação de toxina botulínica para fins estéticos, são investigados por autoridades de saúde e pela Polícia Civil em Três Pontas (MG). Todos os atendimentos teriam sido realizados por um mesmo cirurgião-dentista, que teve uma clínica interditada em Pouso Alegre (MG). Dois pacientes seguem internados no hospital.
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A toxina botulínica é amplamente utilizada na medicina estética para suavizar rugas e linhas de expressão. Também é usada no tratamento de espasmos musculares e hiperidrose (excesso de suor). O efeito da substância dura, em média, de 4 a 6 meses, e provoca o relaxamento temporário dos músculos ao bloquear os sinais nervosos.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), os primeiros dois casos foram notificados na segunda-feira (7), e outros sete na terça-feira (8), após procedimentos realizados pelo cirurgião-dentista na mesma clínica, em Três Pontas (MG).
Os nove registros foram feitos no sistema VigiMed e envolvem pacientes que apresentaram sintomas entre os dias 29 de junho e 8 de julho. Entre os sintomas relatados estão: visão turva, boca seca, fraqueza muscular, dificuldade para respirar, distúrbios na fala e ptose palpebral (queda da pálpebra superior).
As investigações são conduzidas em conjunto pela SES-MG, Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e autoridades locais. A Polícia Civil também instaurou um inquérito policial para apurar a suspeita.
Segundo a SES-MG, medidas foram adotadas desde o início das investigações. Até o momento, os casos foram discutidos com a equipe médica responsável, doses extras de soro anti botulínico foram mobilizadas, houve orientação para coleta de amostras para análise, realização de busca ativa por outros pacientes expostos e reuniões entre os órgãos envolvidos.
Investigação apura nove casos suspeitos de botulismo após uso de toxina botulínica em clínica de estética em Três Pontas, MG
Getty Images via BBC / Imagem ilustrativa
Dois pacientes seguem internados
Em nota, a Santa Casa de Misericórdia Hospital São Francisco de Assis, em Três Pontas, informou que entre os nove pacientes, sete foram atendidos no Pronto Atendimento Municipal, onde permaneceram sob observação e, após avaliação médica, foram liberados sem necessidade de internação hospitalar.
Conforme a Santa Casa, outros dois pacientes permanecem internados na instituição, sendo um na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e outro na ala de clínica médica. Ambos estão medicados e clinicamente estabilizados, recebendo acompanhamento das equipes médicas.
Registro e investigação policial
O boletim de ocorrência foi registrado na quinta-feira (10). De acordo com o documento, a Vigilância Sanitária foi acionada após a internação de dois pacientes que teriam sido submetidos a um tratamento estético utilizando a toxina botulínica.
A equipe de fiscalização esteve na clínica onde os procedimentos foram realizados. No local, os fiscais solicitaram ao profissional responsável o produto que havia sido utilizado, mas, de acordo com o boletim, ele não soube dizer onde estava o frasco.
Segundo o registro, ele também disse que o frasco continha 200 unidades de medida da toxina e que foram usadas 65 nos pacientes internados. Ao ser questionado se havia aplicado o produto em outras pessoas, ele inicialmente negou.
Ainda conforme o BO, horas depois, o dentista entrou em contato com a fiscal da vigilância, dizendo que, depois que os fiscais deixaram a clínica, ele fez um novo levantamento nos arquivos e constatou que outros pacientes também tinham sido submetidos aos procedimentos com o mesmo produto e que, inclusive, alguns deles já apresentavam sintomas compatíveis com o botulismo.
Durante a inspeção, o profissional também explicou que atende na clínica de Três Pontas uma vez por mês e que adquire os produtos em Pouso Alegre (MG), onde mantém outra clínica. De acordo com o boletim, ele declarou que transporta os produtos em temperatura ambiente, justificando que a substância não estaria diluída no momento do transporte.
A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias do caso. Segundo a PCMG, os primeiros depoimentos devem ser colhidos na próxima segunda-feira (14).
Defesa do dentista confirma suspeita de contaminação
Em nota, a defesa do profissional afirmou que há uma suspeita de contaminação pela bactéria Clostridium botulinum, possivelmente originada do frasco de uma determinada marca de toxina botulínica.
Disse também que todos os pacientes que foram submetidos ao uso da toxina do mesmo frasco foram encaminhados para recebimento de atendimento médico, onde foram tomadas as medidas pertinentes.
A defesa disse que o dentista seguiu todos os protocolos, notificou imediatamente os órgãos competentes e encaminhou os pacientes para atendimento médico. A nota também afirma que a indústria farmacêutica, onde a substância foi comprada de forma direta, também foi notificada.
"Cumpre esclarecer que a bactéria Clostridium botulinum não foi adquirida em ambiente clínico, nem assim o poderia considerando a sua natureza. Até o presente momento, a via mais provável de contaminação é pelo produto (no momento da fabricação), o que corrobora a notificação promovida para a indústria fabricante e um pedido de investigação feito às autoridades competentes", diz a nota.
Ainda conforme a nota, a principal preocupação do profissional no momento é com o completo restabelecimento dos pacientes.
Prefeitura de Pouso Alegre interditou clínica do profissional
A Prefeitura de Pouso Alegre, onde o dentista também atende, confirmou que recebeu um pedido da SES-MG para apuração do caso. Após diligência da Vigilância Sanitária Municipal, o consultório localizado na Avenida Afonso Pena foi interditado por falta de alvará sanitário e de localização. O profissional não estava no local no momento da inspeção.
Ainda durante a investigação, foi identificado que uma distribuidora sediada em Pouso Alegre havia comercializado 40 unidades do mesmo lote da toxina botulínica utilizada nos casos suspeitos.
Conforme a prefeitura, quatro clínicas que adquiriram o produto foram fiscalizadas: em duas, o material já havia sido utilizado sem relatos de efeitos adversos até o momento; nas outras duas, os frascos estavam armazenados e foram interditados cautelarmente para possível análise.
A Secretaria Municipal de Saúde alertou hospitais e unidades de urgência e emergência da cidade, orientando sobre os sintomas do botulismo e os protocolos de atendimento.
De acordo com a prefeitura, todo o material recolhido, incluindo notas fiscais, autos de interdição e informações da distribuidora, foi encaminhado à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), responsável pela condução da investigação em âmbito estadual.
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